O tempo é um dos fatores mais determinantes no agravamento da vulnerabilidade dos jovens NEET. Quanto maior o período passado fora do emprego, da educação ou da formação, maiores tendem a ser as barreiras ao regresso.
Estudos da Eurofound mostram que o desemprego de longa duração entre jovens gera efeitos persistentes, frequentemente designados por “scarring effects” – cicatrizes sociais e económicas que podem acompanhar uma pessoa durante anos.
Esses efeitos incluem menor rendimento ao longo da vida, maior probabilidade de aceitar emprego precário, deterioração da saúde mental, perda de confiança e redução das expectativas de mobilidade social.
Em Portugal, a Estratégia da Garantia Jovem reconhece que os períodos prolongados de afastamento aumentam significativamente o risco de exclusão estrutural. Quando a ausência de atividade se prolonga, o jovem tende a perder ligação não apenas ao mercado de trabalho, mas também às redes institucionais de apoio.
Este fenómeno afeta especialmente jovens em territórios de baixa densidade, com fracas redes de mobilidade, oportunidades reduzidas e menor acesso a serviços especializados. A exclusão torna-se, assim, cumulativa.
O grande desafio está na intervenção precoce. Cada mês adicional em situação NEET pode traduzir-se num aumento do risco de abandono definitivo dos percursos de inclusão.
É por isso que projetos como Beyond NEET apostam fortemente em estratégias de outreach, acompanhamento de proximidade e reconstrução da confiança. Antes da formação ou do emprego, muitas vezes é necessário restabelecer ligação, autoestima e sentido de possibilidade.
A principal lição é clara: prevenir a exclusão prolongada é mais eficaz – e mais humano – do que tentar remediá-la anos depois. Quanto mais cedo se atua, maiores são as probabilidades de transformar vulnerabilidade em oportunidade.
