Nem todos os jovens NEET têm rede de proteção

Nem todos os jovens NEET têm rede de proteção

A vulnerabilidade dos jovens NEET não se mede apenas pela ausência de emprego ou formação. O acesso ou a falta de acesso a mecanismos de proteção social constitui um indicador fundamental para compreender os níveis de risco social associados a esta condição.

Segundo a Estratégia da Garantia Jovem 2026-2030, quase 33% dos jovens NEET inscritos com Garantia Jovem beneficiam de algum tipo de apoio social, nomeadamente subsídio de desemprego ou Rendimento Social de Inserção (RSI). Em números absolutos, isto corresponde a 26.392 jovens.

Os dados mostram diferenças importantes por faixa etária. Jovens entre os 25 e os 29 anos apresentam maior prevalência de subsídio de desemprego, refletindo uma ligação anterior ao mercado laboral. Por outro lado, os jovens com menos de 24 anos beneficiam mais frequentemente de RSI, sinalizando contextos de vulnerabilidade socioeconómica mais profundos.

As disparidades territoriais são igualmente marcantes. Alentejo e Algarve surgem como as regiões mais afetadas, com mais de 40% dos jovens NEET inscritos a beneficiarem de algum tipo de proteção social. Em contraste, a região Centro apresenta o valor mais baixo, com 26,5%.

Importa, contudo, olhar também para o outro lado da estatística: cerca de dois terços dos jovens NEET não beneficiam de qualquer apoio social direto. Esta realidade levanta questões críticas sobre invisibilidade institucional e risco de exclusão prolongada.

Quando um jovem não trabalha, não estuda, não frequenta formação e simultaneamente não recebe apoio social, aumenta o risco de afastamento das redes formais de acompanhamento.

O desafio, por isso, não é apenas apoiar quem já está sinalizado, mas também identificar quem permanece fora do radar institucional. É precisamente nesse espaço que iniciativas de proximidade, como o Beyond NEET, podem desempenhar um papel transformador.

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