Os jovens NEET não constituem um grupo homogéneo – e a sua relação com o mercado de trabalho também não. A Estratégia da Garantia Jovem 2026-2030 mostra que existe uma concentração significativa de perfis profissionais em determinadas áreas de atividade.
Segundo os dados do IEFP incluídos no documento, as profissões mais representadas entre os jovens NEET inscritos e assinalados com Garantia Jovem são as dos trabalhadores dos serviços pessoais, proteção e segurança e vendedores, representando 24,7% do total.
Logo a seguir surgem os trabalhadores não qualificados, com 23,1%, e os especialistas das atividades intelectuais e científicas, com 22,6%. Em conjunto, estes três grupos representam cerca de 70% dos jovens inscritos.
Esta distribuição revela uma realidade particularmente interessante: o fenómeno NEET afeta simultaneamente jovens com baixas qualificações e jovens altamente qualificados.
Entre os jovens até aos 24 anos, predominam os trabalhadores dos serviços pessoais, proteção e segurança e vendedores (26,8%). Já no grupo dos 25 aos 29 anos, são os trabalhadores não qualificados que assumem maior peso (24,7%).
Regionalmente, o padrão também varia. No Alentejo, Algarve e Centro, os trabalhadores não qualificados apresentam maior expressão. Em Lisboa e Vale do Tejo predominam perfis ligados aos serviços e vendas, enquanto no Norte se destaca uma maior presença de especialistas em atividades intelectuais e científicas.
Estes dados demonstram que o problema NEET não se resume à falta de escolaridade. Muitos jovens com formação superior enfrentam dificuldades em encontrar emprego compatível com as suas qualificações, revelando desajustamentos entre competências, expectativas e oportunidades.
Responder a esta diversidade exige políticas diferenciadas. O desafio não é apenas criar emprego, mas garantir emprego de qualidade e percursos sustentáveis de integração.
