Em 2024, a taxa de jovens NEET na União Europeia foi mais baixa nas cidades do que nos meios menos urbanos. Os dados da Eurostat mostram 10,0% nas cidades, 11,4% nas vilas e subúrbios e 12,3% nas zonas rurais, um retrato que ajuda a perceber como o território continua a pesar nas oportunidades de transição para o emprego, a educação e a formação.
A diferença não aparece apenas num ou noutro país. Segundo a mesma fonte, este padrão repetiu-se em 18 Estados-membros, com as maiores distâncias entre cidades e zonas rurais a surgirem na Roménia e na Bulgária. O dado não permite explicar, por si só, todas as razões do afastamento, mas confirma que o lugar onde se vive continua a influenciar o risco de ficar fora dos circuitos de aprendizagem e trabalho.
Quando o debate sobre jovens NEET se fecha apenas em percentagens globais, perde-se parte do problema. A leitura territorial mostra que não basta falar de juventude como se todas as trajetórias fossem iguais. Em muitos casos, o acesso a respostas, redes, transportes, serviços e oportunidades de formação continua a ser mais frágil fora dos grandes centros urbanos. A própria Eurostat apresenta este recorte como uma dimensão relevante da análise europeia sobre NEET.
Este quadro dá mais peso a projetos que apostam em respostas de proximidade e em trabalho local com grupos específicos. Quando a distância geográfica se soma à distância social, o risco de desligamento tende a ser mais difícil de quebrar. E é precisamente nesse ponto que programas comunitários, intergeracionais e enraizados no território podem deixar de ser complemento e passar a ser resposta central.
