O idadismo continua a ser um problema vasto e muitas vezes invisível, mas a própria Organização Mundial da Saúde aponta um caminho claro para o contrariar: pôr gerações diferentes em contacto, em contextos de aprendizagem, cooperação e relação direta.
A OMS descreve o idadismo como o uso da idade para categorizar e dividir pessoas de forma injusta, com impacto no bem-estar, na saúde e nos direitos humanos. A mesma organização sublinha que o fenómeno atravessa todas as idades, corrói a solidariedade entre gerações e continua a ser profundamente disseminado. Globalmente, uma em cada duas pessoas tem atitudes idadistas em relação às pessoas mais velhas. Na Europa, são os mais jovens que relatam mais experiências de idadismo percebido do que outros grupos etários.
Ao mesmo tempo, a OMS deixa outra nota importante: o problema pode ser combatido. Entre as estratégias que considera eficazes estão políticas públicas, atividades educativas e intervenções intergeracionais.
É aqui que projetos como o Beyond NEET 2.0 ganham um peso que vai além da inclusão digital ou da capacitação dos jovens. A UMP apresenta esta iniciativa como uma resposta a desigualdades estruturais que afetam jovens NEET, reforçando competências digitais, interpessoais e a relação entre gerações. Essa escolha metodológica tem um alcance maior do que parece à primeira vista. Quando jovens e pessoas idosas deixam de se ver à distância e passam a partilhar tempo, aprendizagem e responsabilidade, há estereótipos que deixam de sobreviver com a mesma facilidade.
Num momento em que a longevidade aumenta e em que a vida social se faz cada vez mais em bolhas etárias, este ponto merece atenção. Aproximar gerações não é um detalhe simpático nem um adorno de projeto. Pode ser uma forma de diminuir preconceitos, reforçar laços comunitários e devolver humanidade a relações que, demasiadas vezes, se fazem por caricatura.
