Nem todos os jovens NEET estão à procura de emprego pelas mesmas razões

Nem todos os jovens NEET estão à procura de emprego pelas mesmas razões

Falar de jovens NEET como se fossem um grupo único é um erro que esconde realidades muito diferentes. Entre elas está uma que continua a pesar sobretudo sobre as mulheres: o impacto das responsabilidades familiares e de cuidado.

Os dados mais recentes da Eurostat mostram que, em 2024, 12,1% das jovens mulheres entre os 15 e os 29 anos na União Europeia estavam fora do emprego, da educação e da formação, acima dos 10,0% registados entre os homens da mesma idade. A diferença não está apenas na taxa global. Está também no tipo de afastamento. Entre os jovens NEET, as mulheres aparecem mais frequentemente fora da força de trabalho, enquanto os homens surgem mais vezes na situação de desemprego ativo. A própria Eurostat admite que esta diferença pode estar ligada, em parte, a estruturas familiares e a tarefas de cuidado com filhos ou outros familiares.

A Eurofound reforça esse retrato. Num relatório de 2024 sobre a transição dos jovens para a vida adulta, a agência europeia sublinha que, em muitos países, as jovens mães são hoje mais propensas a ficar em situação NEET do que os homens jovens, e que as responsabilidades familiares se tornaram a principal razão para essa condição. O mesmo relatório nota que continuam a ser escassas, na Europa, as políticas especificamente dirigidas a jovens mães ou, de forma mais ampla, a jovens mulheres nesta situação.

Isto obriga a mudar o olhar sobre o tema. Nem sempre estar fora do emprego ou da formação significa afastamento voluntário, desmotivação ou simples falta de procura. Em muitos casos, significa ausência de rede, falta de respostas de cuidado, pressão doméstica e impossibilidade prática de conciliar tempos de vida. Quando se ignora essa diferença, corre-se o risco de desenhar medidas iguais para realidades profundamente desiguais.

No caso do Beyond NEET 2.0, o próprio site enquadra o projeto como resposta a desigualdades estruturais que afetam jovens em situação de marginalização. Esse ponto é decisivo. Se o problema é estrutural, a leitura também tem de o ser. E isso implica reconhecer que, dentro da categoria NEET, há trajetórias marcadas por género, cuidado informal e responsabilidades que nem sempre entram nas estatísticas mais rápidas, mas pesam na vida real.

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