Quanto mais tempo dura a condição NEET, maiores tendem a ser as marcas

Quanto mais tempo dura a condição NEET, maiores tendem a ser as marcas

Nem todos os períodos fora do emprego, da educação e da formação têm o mesmo peso. A evidência europeia aponta numa direção clara: quando a condição NEET se prolonga ou se repete, as consequências tendem a ser mais duradouras e difíceis de inverter.

A OCDE assinala, no Education at a Glance 2025, que os jovens que entram repetidamente em situação NEET, ou que nela permanecem durante períodos prolongados, enfrentam consequências de longo prazo significativamente mais graves do que aqueles cuja passagem por essa condição é breve. O ponto é importante porque desmonta a ideia de que todos os casos são iguais ou de que basta esperar que o tempo resolva o afastamento.

A Eurofound ajuda a concretizar essa leitura. Numa síntese sobre juventude na União Europeia, a agência refere que os jovens NEET enfrentam maior risco de afastamento prolongado do mercado de trabalho, maior risco de pobreza e exclusão social e maior exposição ao impacto das crises económicas. O mesmo material distingue diferentes perfis dentro da categoria, incluindo jovens em desemprego de curta duração, desemprego de longa duração, desmotivação, doença ou responsabilidades de cuidado. Essa diversidade ajuda a perceber que não basta contar quantos são. É preciso perceber há quanto tempo estão fora e em que condições.

Esta é uma questão central para qualquer política ou projeto que queira intervir cedo e com algum efeito. Se a permanência prolongada agrava o risco de desligamento, então a resposta não pode chegar tarde, nem depender apenas de mecanismos burocráticos ou de convites genéricos à participação. Tem de criar relação, rotina, compromisso e confiança antes que a distância ao trabalho, à aprendizagem e à vida comunitária se torne mais funda.

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