O projeto Beyond NEET 2.0 já dispõe de um programa de aprendizagem dirigido às pessoas idosas, organizado em seis oficinas práticas que cruzam inclusão digital, partilha entre gerações e desenvolvimento de competências dos jovens mentores. O manual foi apresentado no contexto do trabalho em curso dos parceiros e enquadra uma metodologia comum para Portugal, Espanha e Irlanda.
O documento define um percurso formativo pensado para aproximar jovens e pessoas idosas através de sessões de aprendizagem prática. A lógica do programa é simples: enquanto os participantes mais velhos ganham autonomia no uso de ferramentas digitais, os jovens assumem o papel de mentores e desenvolvem competências de comunicação, planeamento, liderança e relação interpessoal.
Com dimensão europeia, o programa prevê a participação de 15 jovens mentores e 15 pessoas idosas em cada um dos três países parceiros, num total de 90 participantes. O modelo assenta numa lógica de acompanhamento próximo, com correspondência personalizada entre gerações, para reforçar tanto a aprendizagem como a criação de vínculos sociais.
A estrutura do programa reparte-se por seis oficinas. A primeira centra-se na interação inicial e nas experiências de vida, criando um espaço de confiança antes da entrada nas componentes mais técnicas. Seguem-se sessões sobre utilização de tablets e telemóveis, criação de conteúdos para redes sociais, realização de videochamadas, exploração de websites e aplicações, e, por fim, cibersegurança e segurança digital.
O manual deixa claro que o objetivo não passa apenas por ensinar tarefas técnicas. Do lado das pessoas idosas, a meta é reforçar a autonomia no uso de dispositivos móveis, melhorar a comunicação com familiares e amigos, facilitar o acesso a serviços e aplicações úteis no quotidiano e aumentar a capacidade de reconhecer riscos online. Do lado dos jovens, o foco está no reforço de competências de criação de conteúdos, gestão de atividades, escuta ativa, empatia, assertividade e resolução de problemas em contexto real.
Logo na primeira sessão, por exemplo, os jovens começam por conversar com as pessoas idosas sobre a forma como comunicavam no passado, os seus hobbies, memórias e objetivos digitais, antes de avançarem para ações básicas como desbloquear o ecrã ou abrir a câmara. Nas sessões seguintes, o trabalho evolui para práticas concretas: ajustar definições de acessibilidade, tirar fotografias, gravar vídeos, enviar ficheiros por WhatsApp, fazer chamadas de vídeo, navegar em websites, instalar aplicações e identificar tentativas de fraude digital.
A metodologia assenta em princípios de educação não formal, com aprendizagem experiencial, mentoria entre pares e entre gerações, atividades práticas e momentos de reflexão e avaliação.
