Por que razão um jovem NEET tem mais dificuldade em encontrar emprego?

Por que razão um jovem NEET tem mais dificuldade em encontrar emprego?

Um jovem NEET (Nota in Education, Employment ou Training) enfrenta geralmente mais dificuldades para encontrar emprego do que um jovem que está a estudar, a trabalhar ou em formação – e isso deve-se, na maioria dos casos, a ter perdido o acesso simultâneo a três elementos essenciais para e empregabilidade: educação, rede social e profissional e motivação pessoal.

A falta de experiência e de qualificações atualizadas é um fator que pesa nos processos de integração profissional destes jovens. Muitos deles interromperam os estudos prematuramente ou ficaram afastados da formação durante longos períodos. Em consequência, têm um nível de escolaridade menor, competências técnicas e digitais grandemente desatualizadas e menos experiência profissional, o que dificulta a competição com candidatos ativos.

Estatísticas recentes dizem-nos que os jovens NEET têm taxas de empregabilidade 30 por cento inferiores às dos jovens com estudos ou formação ativa.

Por estarem afastados de contextos educativos ou laborais, muitos jovens desconhecem os canais de procura de emprego, nem dominam ferramentas digitais de candidatura. Esta falta de informação reduz drasticamente as hipóteses de encontrar um emprego, como comprovam várias estatísticas oficiais.

O afastamento prolongado do trabalho ou dos estudos afeta a autoestima e a saúde mental, daí que os jovens NEET sintam frequentemente desânimo e insegurança e medo de rejeição ou fracasso, um quadro que se reflete num isolamento social que os distancia ainda mais do mercado laboral.

Esses fatores reduzem a iniciativa de procurar ativamente emprego e dificultam a persistência nos processos de candidatura. A própria Organização Mundial de Saúde associa o desemprego jovem prolongado ao aumento de sintomas de ansiedade e depressão, o que pode criar um círculo vicioso difícil de quebrar.

Os jovens que permanecem em contextos educativos ou profissionais mantêm contactos com professores, colegas e empregadores, canais que geram oportunidades. Os NEET, pelo contrário, têm redes de contacto mais limitadas, o que os deixa fora dos circuitos informais de recrutamento. Desta forma, a ausência de redes sociais e profissionais acaba por funcionar como um dos principais obstáculos à sua inserção no mercado de trabalho.

No recrutamento de recursos humanos, as organizações e as empresas valorizam competências transversais, como a comunicação, trabalho em equipa, pensamento crítico ou a literacia digital, que jovens afastados da educação e do emprego muitas vezes não desenvolveram. Sem acompanhamento técnico, orientação, mentoria e formação prática – aquilo que o programa Beyond Neet se propõe proporcionar, a distância entre o perfil destes jovens e a procura das empresas tende a aumentar. Os relatórios oficiais reforçam essa ideia de que a falta de soft skills e de competências digitais básicas é uma enorme montanha que se ergue à contratação de jovens NEET.

Estima-se que cerca de 11% dos jovens europeus entre os 15 e os 29 anos se encontrem na condição de NEET. Em Portugal, o valor é inferior, rondando os 8,7%, mas com uma incidência mais elevada em regiões como o Algarve e os arquipélagos dos Açores e Madeira.

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