Ser NEET (aqueles que não estudam, não trabalham, nem estão envolvidos em programas de formação) não significa necessariamente preguiça. Essa categoria envolve jovens com trajetórias e desafios muito distintos — desde aqueles que perderam a esperança até outros que enfrentam barreiras estruturais sérias. Reconhecer essa heterogeneidade é fundamental para políticas públicas mais eficazes e sensíveis às necessidades individuais e contextuais.
O rótulo “NEET” esconde, por isso, uma pluralidade de realidades e circunstâncias. A Eurofound, agência da União Europeia que fornece conhecimento para apoiar o desenvolvimento de melhores políticas sociais, de emprego e de condições de vida, distingue sete subgrupos de NEETS.
Incluem-se neste lote os “reentrantes”, jovens que estão temporariamente fora do emprego, do sistema de educação ou da formação, mas com intenção clara de regressar em breve. Deste subgrupo, fazem parte jovens que terminam o secundário e aguardam o início do curso superior, que terminaram um contrato de trabalham e estão em processo de recrutamento para outro, ou que fizeram uma pausa curta para uma viagem, voluntariado ou questões pessoais (ex.: viagens, voluntariado, questões pessoais) antes de retomar estudos ou emprego.
Os demais subtipos dizem respeito aos desempregados de curto e longo prazo, indisponíveis por doença ou deficiência, com responsabilidades familiares, desencorajados (que já não procuram emprego) e outros inativos. Estas categorias ajudam a compreender que diferentes situações podem e devem ter respostas diferentes.
O perfil de um NEET ativo — alguém que ainda busca oportunidades – é bem diferente daquele de um jovem inativo, que não está apto ou motivado a buscar emprego ou formação. Os NEETs que não sabem que caminho seguir são suscetíveis de apresentar riscos elevados de problemas de saúde mental e comportamentais. Importa salientar também que a má saúde mental pode ser tanto causa quanto consequência de estar em situação NEET, especialmente entre os mais jovens.
A categoria NEET também pode reforçar estereótipos nocivos de que todos os jovens NEET são preguiçosos ou apáticos. Estudiosos alertam que uma “perspetiva deficitária” nas políticas públicas tende a desconsiderar fatores estruturais como a precariedade do trabalho, a informalidade ou o apoio familiar limitado — em vez de focar apenas em “qualificação”.
Observa-se, por exemplo, que em espaços rurais a escassez de oferta educativa e de serviços de apoio agrava ainda mais a situação de muitos jovens NEET.
Nem todos os NEETs são iguais — e tratá-los como se fossem parte de um grupo homogéneo é um erro que pode reforçar exclusão. A situação de cada jovem NEET é resultado de uma combinação única de fatores: saúde mental, responsabilidades familiares, desigualdades socioeconómicas, género, localização geográfica e experiências de vida. E, por isso, definir medidas públicas para incluir socialmente estes jovens implica ter presente esta diversidade.
