Jovens NEET: investigação reforça impacto na saúde mental e a importância do suporte social e das políticas integradas

Jovens NEET: investigação reforça impacto na saúde mental e a importância do suporte social e das políticas integradas

Uma revisão científica recente publicada pelo Centro de Investigação e Intervenção Social do ISCTE (CIS-Iscte) aprofunda a compreensão sobre a realidade dos jovens NEET (Not in Employment, Education or Training), reforçando a ligação entre esta condição e o bem-estar psicológico, bem como a importância das redes de suporte social e das políticas públicas de intervenção.

O artigo, assinado por Pedro Simão Mendes, intitulado “Investigação quer melhorar as condições de jovens NEET” sintetiza uma revisão de literatura que analisou cerca de mil estudos científicos, dos quais apenas dez se centraram especificamente nas características psicológicas destes jovens, abrangendo no total cerca de 20 mil participantes.

Segundo a investigação, a condição NEET está frequentemente associada a maior risco de ansiedade, tristeza, tensão, medo e isolamento social, bem como a comportamentos de risco como o consumo de substâncias, particularmente entre jovens do sexo masculino. Em sentido inverso, o estudo destaca que o suporte social desempenha um papel protetor essencial, estando associado a maior autoestima e melhor saúde mental.

Como refere o investigador Francisco Simões, do CIS-Iscte, “sem entender as características desta população, torna-se muito difícil desenvolver estratégias que a envolvam e que deem resposta às suas necessidades”, sublinhando a necessidade de intervenções mais ajustadas e baseadas em evidência científica.

A investigação evidencia ainda que jovens com maior suporte familiar e social apresentam níveis mais elevados de satisfação com a vida e maior autoeficácia, reforçando a importância de envolver redes de proximidade, família, amigos e comunidade, nos processos de inclusão.

Estes resultados vão ao encontro de estudos anteriores desenvolvidos em Portugal, Espanha e Itália no âmbito do projeto europeu Track-IN, que demonstram que o bem-estar dos jovens NEET depende de uma combinação de fatores individuais, sociais e institucionais.

A investigação destaca igualmente que os jovens em contextos rurais enfrentam desafios acrescidos, devido à menor disponibilidade de oportunidades educativas e profissionais, o que exige políticas públicas mais adaptadas às realidades territoriais.

Neste enquadramento, ganha especial relevância a aposta em respostas integradas que combinem educação, formação, apoio psicossocial e intervenção comunitária, promovendo não apenas a empregabilidade, mas também o bem-estar e a inclusão social.

Iniciativas como o Beyond NEET 2.0, centradas na aprendizagem intergeracional e no desenvolvimento de competências pessoais e sociais através da mentoria digital a pessoas idosas, alinham-se com esta abordagem mais ampla, ao reforçar a autoestima, o sentido de utilidade e as redes de suporte dos jovens.

A evidência científica reforça assim uma ideia central: compreender e apoiar jovens NEET exige ir além da dimensão laboral, incorporando fatores emocionais, sociais e contextuais na construção de respostas mais eficazes e humanas.

O artigo completo pode ser consultado AQUI.

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