Jovens NEET: números em queda, desafios que persistem

Jovens NEET: números em queda, desafios que persistem

Quando falamos de jovens NEET – Not in Employment, Education or Training, falamos de jovens que não se encontram empregados, nem integrados em processos de educação ou formação. Em Portugal, popularizou-se a expressão “nem-nem”: nem estudam, nem trabalham.

Durante anos, este foi um dos indicadores mais preocupantes da vulnerabilidade juvenil, sobretudo no rescaldo da crise financeira e do período de intervenção da troika. Em 2013, a taxa de jovens entre os 16 e os 29 anos nesta situação atingia 17,6%, tendo ultrapassado os 21% no grupo dos 25 aos 29 anos.

Hoje, o cenário é substancialmente diferente.

Segundo dados recentemente destacados pelo Jornal Económico, Portugal registou em 2025 uma taxa de NEET de apenas 8%, tornando-se o quarto país da União Europeia com menor proporção de jovens nesta condição, atrás apenas dos Países Baixos, Suécia e Eslovénia. Em termos nacionais, os dados do INE apontam para 8,5% em 2025, o valor mais baixo desde o início da série estatística em 2011.

À primeira vista, os números são encorajadores. Como sublinha o artigo, Portugal passou de um universo superior a 400 mil jovens NEET em 2012 e 2013 para cerca de 136 mil em 2025. A evolução é inequívoca.

Mas estes números, por si só, não contam toda a história.

O próprio Jornal Económico alerta para essa nuance ao recordar que “está então tudo bem na transição dos jovens para o mercado de trabalho? Nem tanto ao mar nem tanto à terra.” Apesar da redução do indicador NEET, persistem fragilidades significativas. O desemprego jovem continua elevado e muitos jovens permanecem em situações de instabilidade, precariedade laboral, desmotivação ou afastamento social.

Ser NEET não significa apenas estar fora da escola ou do mercado de trabalho. Muitas vezes, significa enfrentar ciclos de desconfiança, baixa autoestima, perda de motivação e ausência de perspetivas claras de futuro. Quanto mais prolongada for esta situação, maior tende a ser o risco de exclusão social.

É precisamente neste contexto que projetos como o Beyond NEET 2.0 assumem especial relevância.

Ao contrário de abordagens centradas exclusivamente na empregabilidade formal, o projeto parte de uma premissa fundamental: antes de entrar ou regressar ao mercado de trabalho, muitos jovens precisam de reconstruir competências pessoais, relacionais e emocionais.

Através de um programa de aprendizagem intergeracional, o Beyond NEET 2.0 cria oportunidades para que jovens em situação NEET desenvolvam competências práticas e humanas enquanto acompanham pessoas idosas na utilização de ferramentas digitais.

Este modelo gera benefícios em múltiplas dimensões. Os jovens desenvolvem competências técnicas, mas também soft skills essenciais como comunicação, empatia, responsabilidade, escuta ativa e capacidade de adaptação, competências cada vez mais valorizadas em contextos profissionais.

Mais do que preparar jovens para o emprego, trata-se de os preparar para a participação ativa na sociedade.

A redução estatística dos NEET em Portugal é uma boa notícia. Mas a verdadeira transformação não se mede apenas em percentagens. Mede-se na capacidade de criar oportunidades reais para que cada jovem recupere confiança, propósito e ligação à comunidade.

Porque por detrás de cada número existe uma pessoa, e por detrás de cada percurso de reintegração existe quase sempre uma relação, uma oportunidade e alguém que acreditou.

O Beyond NEET 2.0 é um projeto cofinanciado pela União Europeia, no âmbito do programa Erasmus+, e desenvolvido pela União das Mutualidades Portuguesas, em parceria com a Irish Rural Link e a Asociación Building Bridges. O seu objetivo passa por proporcionar a jovens NEET oportunidades de desenvolvimento de competências úteis para a vida pessoal e profissional, através de um trabalho direto de acompanhamento e mentoria a pessoas idosas na utilização de ferramentas digitais.

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