A 8 de setembro assinala-se o Dia Internacional da Literacia, uma data proclamada pela UNESCO em 1966. Este ano, a efeméride celebra o seu 60.º aniversário sob o tema “Literacy for people, the planet and prosperity”, num momento em que a UNESCO propõe repensar o significado da literacia perante as transformações tecnológicas e sociais das últimas décadas.
Apesar dos progressos alcançados, pelo menos 739 milhões de jovens e adultos em todo o mundo continuavam, em 2024, sem competências básicas de literacia. Ao mesmo tempo, quatro em cada dez estudantes dos países de baixo e médio rendimento não atingiam níveis mínimos de proficiência em leitura em 2019.
Os números mostram que garantir competências básicas de literacia continua a ser um desafio. Mas mostram também que aquilo que entendemos hoje por literacia está a mudar.
Ler, compreender e agir
Para a UNESCO, a literacia inclui a capacidade de ler, escrever e utilizar números, mas também de recorrer a materiais digitais para resolver problemas num mundo cada vez mais tecnológico e rico em informação. A digitalização e a inteligência artificial estão, por isso, a criar novas exigências: é necessário saber interpretar informação e utilizá-la de forma crítica, segura e responsável.
Afinal, a literacia não termina quando conseguimos decifrar palavras. Envolve também compreender informação, avaliar o que encontramos, tomar decisões e agir a partir desse conhecimento.
Esta mudança é particularmente relevante numa sociedade em que grande parte das tarefas do quotidiano passa por ferramentas e ambientes digitais. Ter acesso à tecnologia é um ponto de partida; saber utilizá-la de forma significativa é outra coisa.
Das ferramentas para a vida real
É precisamente nesta passagem do conhecimento para a ação que o tema da literacia encontra uma ligação com o projeto Beyond NEET 2.0.
No projeto, os jovens e as pessoas seniores encontram-se num contexto de aprendizagem em que as competências digitais convergem com as necessidades reais.
Uma videochamada pode significar manter o contacto com alguém. Um serviço digital pode significar tratar de uma tarefa sem depender de outra pessoa. Saber procurar e avaliar informação pode fazer a diferença na forma como alguém toma uma decisão.
A mesma lógica está presente no papel dos jovens enquanto mentores digitais. Ao apoiarem pessoas seniores, não se limitam a transmitir conhecimentos: têm de perceber aquilo de que a outra pessoa precisa e encontrar a melhor forma de transformar aquilo que sabem numa resposta útil.
A aprendizagem ganha, assim, uma dimensão prática. O conhecimento deixa de ser apenas algo que se sabe e passa a ser algo que se consegue usar.
Uma forma de acompanhar e participar na sociedade
A literacia não deve ser pensada apenas como uma aprendizagem adquirida nos primeiros anos de vida, ou apenas enquanto se está na escola. Num mundo em que as tecnologias, as formas de comunicação e o acesso à informação estão em constante mudança, continuar a aprender tornou-se parte da capacidade de acompanhar e participar na sociedade.
Esta perspetiva está no centro da reflexão proposta pela UNESCO em 2026, que procura identificar os desafios atuais e pensar as competências necessárias para uma literacia preparada para a realidade em que vivemos.
No Beyond NEET 2.0, essa aprendizagem acontece também entre gerações, mostrando que desenvolver uma competência pode significar muito mais do que aprender a utilizar uma ferramenta: pode significar ganhar novas possibilidades para compreender, decidir e agir.
No fundo, falar de literacia em 2026 é falar de algo que pode começar no “saber ler e escrever”, mas não termina por aí.
Sobre o projeto
O Beyond NEET 2.0 é um projeto cofinanciado pelo Programa Erasmus+ da União Europeia, desenvolvido por um consórcio constituído pela União das Mutualidades Portuguesas (Portugal), Asociación Building Bridges (Espanha) e Irish Rural Link (Irlanda). A iniciativa promove a inclusão social de jovens NEET através da aquisição de competências pessoais, sociais e digitais, fomentando simultaneamente a aprendizagem intergeracional e a participação ativa das pessoas seniores nas comunidades.
O projeto, realizado no âmbito do programa Erasmus+, é financiado pela União Europeia, através da Agência Nacional Erasmus+ Juventude/Desporto – Corpo Europeu de Solidariedade.
