Aprender a partir das necessidades do dia a dia
Para Fátima, aprender a fazer videochamadas permitiu-lhe falar mais vezes com os netos. M. Isabel encontrou uma forma de organizar as fotografias guardadas no telemóvel e de as partilhar com a família. Já M. da Natividade aprendeu a marcar consultas online e a utilizar algumas aplicações básicas.
Outros participantes identificaram aprendizagens diferentes. Manuel descobriu como procurar músicas antigas na Internet e ouvir rádio, enquanto José passou a ler o jornal no tablet e a pesquisar informação por iniciativa própria. São exemplos distintos, ligados às rotinas e aos interesses de cada pessoa.
Em conjunto, estes testemunhos mostram que a aprendizagem digital não tem de partir de um conjunto abstrato de competências. Pode começar com uma tarefa que a pessoa quer conseguir realizar e desenvolver-se a partir daí. O que cada participante retira da experiência depende, em parte, daquilo que procura resolver, descobrir ou fazer de forma diferente.
Ensinar tecnologia também implica aprender
A aprendizagem não se limita aos participantes seniores. Os testemunhos dos jovens mentores revelam outra perspetiva sobre as sessões: a oportunidade de refletir sobre a forma como transmitem conhecimentos e sobre aquilo que podem aprender com pessoas de outras gerações.
Diogo reconhece que também aprendeu coisas novas com os participantes mais velhos. Carmen destaca a importância da paciência e de não criar barreiras à aprendizagem, enquanto Isabela salienta a vontade dos participantes seniores de descobrir ferramentas digitais, comunicar melhor e partilhar mais sobre o seu quotidiano.
Estas perspetivas ajudam a alargar o olhar sobre a experiência. Para os jovens, participar não significou apenas explicar como utilizar determinadas ferramentas: significou também observar, escutar e reconhecer o conhecimento que os participantes mais velhos trazem consigo.
Diferentes perspetivas sobre uma mesma experiência
Os testemunhos não descrevem uma experiência igual para todos, nem apontam para uma única forma de medir o que foi aprendido. Uns destacam a possibilidade de manter contacto com a família; outros, a utilização autónoma de ferramentas digitais ou a descoberta de novas formas de aceder à informação. Os jovens, por sua vez, valorizam o contacto com outras gerações e aquilo que aprenderam durante as sessões.
Em conjunto, estes relatos permitem compreender a aprendizagem intergeracional a partir de quem a viveu. As experiências dos participantes mostram que este processo pode traduzir-se em aprendizagens práticas e novas formas de utilizar a tecnologia, mas também em descobertas sobre o próprio ato de ensinar e aprender.
Sobre o projeto
O Beyond NEET 2.0 é um projeto cofinanciado pelo Programa Erasmus+ da União Europeia, desenvolvido por um consórcio constituído pela União das Mutualidades Portuguesas (Portugal), Asociación Building Bridges (Espanha) e Irish Rural Link (Irlanda). A iniciativa promove a inclusão social de jovens NEET através da aquisição de competências pessoais, sociais e digitais, fomentando simultaneamente a aprendizagem intergeracional e a participação ativa das pessoas seniores nas comunidades.
O projeto, realizado no âmbito do programa Erasmus+, é financiado pela União Europeia, através da Agência Nacional Erasmus+ Juventude/Desporto – Corpo Europeu de Solidariedade.
